
Imigrantes celebram centenário em calendário de música e ações de valorização da cultura armênia. Foto: Divulgação.
Há exatamente um século, um grupo de imigrantes armênios sobreviventes do genocídio perpetrado pelo Império Otomano encontrou na música a força necessária para reconstruir sua identidade. Nascido em São Paulo, o Coral Vahakn Minassian atinge em 2026 o marco de 100 anos de atividades ininterruptas.
Para celebrar o centenário, a SAMA-Clube Armênio, entidade que abriga o Coral, convida para uma programação especial de concertos, ações de preservação patrimonial e o lançamento de uma obra que pretende eternizar o centenário do grupo em um livro histórico-fotográfico.
PROGRAMAÇÃO CULTURAL
Homenagem ao Coral Vahakn Minassian
Organizado pelo comissário para Assuntos da Diáspora da Armênia no Brasil. Durante a cerimônia, os integrantes e lideranças do coral receberão certificados, além da Medalha de Honra e Homenagem da República da Armênia.
Data: 30 de agosto (domingo)
Local: SAMA Clube Armênio
Av. Professor Ascendino Reis, 1450 – Vila Clementino, São Paulo – SP, CEP 04027-000
Apresentação do Coral Vahakn Minassian – Centenário e Lançamento de Livro Comemorativo
Espetáculo especial para celebrar os 100 anos do coral.
Data: 8 de novembro (domingo)
Local: Teatro Maria Imaculada, Av. Bernardino de Campos, 79 – Paraíso, São Paulo – SP, CEP 04004-041
Memória registrada em livro
A historiadora Dra. Sonia Maria de Freitas (USP), especialista na imigração armênia no Brasil e pesquisadora aposentada do Museu da Imigração, prepara um novo livro dedicado exclusivamente à trajetória do coral. O lançamento está confirmado para o dia 8 de novembro de 2026. A obra encerra uma trilogia fundamental da autora sobre a herança armênia em São Paulo, que já conta com os títulos Presença Armênia em São Paulo (2019) e Entrelaçando linhas e memórias: bordadeiras armênias em São Paulo (2023).
Resgatar o passado, unir gerações
Fundado em 1926 como Coral Kussan Armênio de São Paulo, o grupo é considerado a primeira manifestação cultural organizada da diáspora armênia no Brasil. O termo Kussan significa “trovador” em armênio, uma menção direta aos guardiões da tradição musical oral. Desde a sua criação, o coral assumiu a missão de salvaguardar uma herança musical que remonta a pelo menos quatro milênios antes de Cristo. Incorporado pela Sociedade Artística e Musical Melodias Armênias (SAMA), fundada em 1941, o Kussan passou a ser denominado ‘Melodias Armênias’, que frequentemente se apresentava no programa radiofônico semanal produzido pela entidade. Ao longo das décadas, o grupo consolidou-se como símbolo de resistência cultural. Suas apresentações passaram por igrejas, teatros, clubes e festivais de prestígio, tanto no Brasil quanto no exterior.
Marcos históricos e legado
A trajetória do coral confunde-se com a própria história da imigração armênia no país. Sob a liderança do maestro e compositor Vahakn Minassian, seu organizador, o grupo construiu um repertório robusto que transita pela música folclórica, popular e erudita. Entre seus momentos de maior orgulho está o ano de 1950, quando o grupo protagonizou a primeira montagem mundial fora da Armênia da ópera “Anuch” — uma das obras mais importantes do cancioneiro armênio. Em 1983, o grupo passou a ser denominado Coral Vahakn Minassian, imortalizando o legado artístico do grande maestro.
Mais do que festejar uma instituição centenária, as comemorações de 2026 jogam luz sobre a contribuição do coral para a diversidade cultural brasileira. O projeto demonstra como a arte foi capaz de guiar e mobilizar uma comunidade de sobreviventes do Genocídio Armênio na preservação de sua identidade através de sucessivas gerações.
(Com Bruno Passos Cotrim/Libris)