
Em cartaz a partir de 8 de agosto na Zipper Galeria, individual reúne ensaio produzido em espaços públicos nova-iorquinos e expõe, pela primeira vez, os bastidores por trás da criação do universo lúdico em suas fotografias.
Depois de quase duas décadas transformando teatros, museus, palácios e outros espaços históricos em cenários para suas fotografias, Flávia Junqueira voltou seu olhar para a imprevisibilidade da cena urbana de Nova York. O resultado é “Tudo que inventei aconteceu”, exposição que abre em 8 de agosto na Zipper Galeria, em São Paulo. A mostra apresenta um conjunto inédito de fotografias produzido durante uma temporada no início deste ano, em que balões, cavalinhos de carrossel e outros elementos recorrentes na obra da artista ocupam ruas, pontes, parques e estações de metrô de alguns dos endereços mais emblemáticos da metrópole.
Realizado em parceria inédita entre a Zipper Galeria, no Brasil, e a Unix Gallery, em Nova York, o projeto foi desenvolvido majoritariamente em espaços públicos e exigiu uma dinâmica de produção diferente da habitual. Os materiais acompanharam toda a viagem, os balões eram inflados no próprio local e muitas fotografias foram feitas antes do amanhecer, quando as ruas ainda estavam vazias. A luz, o clima e o movimento da cidade passaram a fazer parte da construção de cada imagem.
Essa mudança aparece também nas próprias fotografias. Pela primeira vez, tripés, cilindros de gás hélio e outros recursos técnicos permanecem visíveis em algumas imagens. Em vez de esconder esses elementos, Flávia os incorpora ao trabalho e revela parte do processo de criação sem desfazer o encantamento que caracteriza sua produção.
Referências a Alice no País das Maravilhas atravessam discretamente a série e reaparecem ao longo das fotografias. O título da mostra sugere que aquilo que parecia existir apenas na imaginação ganha forma diante da câmera, retomando temas recorrentes na obra da artista, como a infância, a memória e a encenação.
As imagens percorrem diferentes paisagens de Nova York. Na Brooklyn Bridge e na vista da Manhattan Bridge a partir do DUMBO, os balões dividem espaço com alguns dos cartões-postais mais conhecidos da cidade. No Bryant Park, um díptico registra o mesmo carrossel durante o dia e à noite, sem qualquer intervenção. Já na estação Chambers Street, uma das mais antigas, um cavalo de carrossel ocupa a plataforma do metrô. No Freeman Alley, os balões encontram os grafites que transformaram o beco em um dos endereços mais conhecidos da arte urbana nova-iorquina.
A série sucede projetos recentes que ampliaram a presença do trabalho de Flávia Junqueira em diferentes espaços, como a instalação de milhares de balões criada para o aniversário de 116 anos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a instalação imersiva Rêverie, apresentada na Zipper Galeria, e Sala Ali, espaço permanente concebido para a Casa Bradesco, em São Paulo. Suas obras integram coleções como MAM São Paulo, MIS São Paulo, Museu do Itamaraty e World Bank.
Com texto crítico de Gisela Gueiros, a mostra apresenta um momento de inflexão na trajetória de Flávia Junqueira. Ao levar sua fotografia para as ruas de Nova York e incorporar ao processo aquilo que normalmente permanecia fora de quadro, a artista amplia as possibilidades de um trabalho reconhecido por construir cenas cuidadosamente elaboradas.
Sobre a artista
Flávia Junqueira (São Paulo, Brasil, 1985) vive e trabalha em São Paulo. Bacharel em Artes Plásticas e pós-graduada em Fotografia pela Fundação Armando Álvares Penteado, seu nome é evidenciado pela participação em projetos e exposições de destaque, tais como “Culture and Conflict: IZOLYATSIA in Exile”, no Palais de Tokyo (Paris, 2014), “The World Bank Art Program”, no Kaunas Photo Festival (2010), “Tomorrow I will be born again”, na Cité des Arts (2011), e “Subjetivo Feminino: una Mirada Latino Americana”, do projeto Photo España, no Instituto Cervantes São Paulo (2009), além de “Projeto para finais felizes”, na Temporada de Projetos do Paço das Artes (São Paulo, 2013), agraciado com o Prêmio Energias na Arte do Instituto Tomie Ohtake em 2009. Outras contribuições notáveis incluem “Gorlovka”, no Programa Itinerâncias “Nova Fotografia” (2015), e “Tentativas e Apostas – Notas de um Processo”, na Red Bull House of Art, Residência Artística São Paulo (2010).
Nos últimos anos, realizou uma série de exposições individuais e instalações imersivas que expandem essa pesquisa, com destaque para “Flávia Junqueira no Baile”, na Sala Ali, Casa Bradesco (São Paulo, 2025), a instalação imersiva no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (2025), “Alegoría”, na Sorondo Projects em parceria com a Reiners Contemporary (Barcelona, 2025), “Extasia”, no Centro Cultural FIESP (São Paulo, 2024), o projeto ao ar livre da Banca Galeria no Parque Ibirapuera (São Paulo, 2024), “The Absurd and the Grace”, na Gilman Contemporary (Sun Valley, Idaho, Estados Unidos, 2024), “Symphony of Illusions”, na Galeria Voss (Düsseldorf, 2023), “Revoada #3”, no Pátio Higienópolis (São Paulo, 2022), e as mostras “Revoada”, no Farol Santander Porto Alegre e no Farol Santander São Paulo (2021). Também integra esse percurso “Party Cloud”, na Izolyatsia (Donetsk, Ucrânia, 2012). Na Zipper Galeria, onde já realizou cinco exposições individuais, destacam-se “Rêverie” (São Paulo, 2024), “Igrejas barrocas e cavalinhos de pau” (São Paulo, 2021), “O Absurdo e a Graça” (2019) e “Quando os monstros envelhecem” (2016), que aprofundam sua investigação sobre a memória e a teatralidade do encantamento no espaço expositivo.
SERVIÇO:
Flávia Junqueira | Tudo que inventei aconteceu
Texto crítico: Gisela Gueiros
Local: Zipper Galeria – R. Estados Unidos, 1494 – Jardim America, São Paulo
Abertura: 8 de agosto
Período expositivo: 8 de agosto a 19 de setembro de 2026
Entrada: Gratuita
Informações: www.zippergaleria.com.br | @zippergaleria.
(Com Edgard França Cor Comunicação)