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MASP apresenta mostra panorâmica de Damián Ortega com instalações suspensas e monumentais

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Damián Ortega – Cosmic Thing [Coisa cósmica], 2002 – Fusca Volkswagen 1989 desmontado e C-print [Disassembled 1989 Volkswagen Beetle and Chromogenic Development Print], 673 × 701 × 752 cm / Imagem [Image]: 32,5 × 48,5 cm The Museum of Contemporary Art, Los Angeles, compra com fundos provenientes de [purchase with funds provided by] Eugenio López e [and] Jumex Fund for Contemporary Latin American Art. Foto [Photo] © Helene Toresdotter/Malmö konsthall.

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, de 15 de maio a 13 de setembro, Damián Ortega: matéria e energia, primeira exposição panorâmica do artista na América do Sul. Com 35 obras, a mostra leva o visitante para um universo onde a gravidade parece suspensa e objetos são desmontados e ressignificados. Um dos nomes centrais da arte contemporânea de sua geração, Damián Ortega (Cidade do México, México, 1967) propõe ao público reexaminar nosso cotidiano e os objetos que nos cercam para refletir sobre questões diversas, como trabalho, consumo, tempo e linguagem.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Rodrigo Moura, curador independente; e Yudi Rafael, curador assistente, MASP, a exposição reúne mais de três décadas de produção do artista, articulando fotografia, vídeo, escultura e instalação. A mostra também será apresentada no Centro Cultural La Moneda, em Santiago, Chile, de 12 de novembro de 2026 a 28 de março de 2027.

O artista conta que concebe a escultura como uma relação entre força, resistência, equilíbrio e gravidade, aproximando-se da engenharia de modo lúdico. “Ortega desenvolve uma linguagem escultórica irreverente a partir de objetos cotidianos. Em sua obra, a ideia de energia é ampla, referindo-se tanto a noções de trabalho quanto a processos físicos de transformação da matéria. Ele equaciona abordagens da sociedade e investigações sobre tempo e espaço, movendo-se entre escalas micro e macro, entre o átomo e o cosmos”, afirma Yudi Rafael.

Damián Ortega – Alma Mater, 2008 – Tijolo, argila, rochas de tezontle vermelha e preta e pedras-pomes suspensos com fio de nylon com aço [Brick, clay, red and black tezontle stones, and pumice suspended with steel-nylon wire], 235 × 230 × 230 cm – Coleção [Collection of] Fernanda Feitosa e Heitor Martins, São Paulo. Foto [Photo] Gerardo Landa Rojano.

Inédita no Brasil, a obra Cosmic Thing [Coisa cósmica], 2002, consiste em um fusca completamente desmontado, suspenso como um diagrama espacial em que todas as peças parecem flutuar. Mais do que revelar o interior do veículo, Ortega evidencia um objeto industrial que já foi o automóvel mais popular no Brasil e no México, assim como um símbolo da industrialização na América Latina. Essa nova apresentação convida o público a refletir sobre diferentes camadas de sentido — afetivas, históricas e econômicas— que o automóvel carrega: promessas de modernização, expectativas de ascensão social, mas também obsolescência e questões latentes nas grandes metrópoles da região.

Já em Controller of the Universe [Controlador do universo], 2007, serrotes, pás, marretas e machados tornam-se elementos de uma explosão que parece ter sido congelada no tempo. A instalação feita de ferramentas é uma releitura do mural El hombre controlador del universo [O homem controlador do universo], 1934, de Diego Rivera (Guanajuato, México, 1886—1957 Cidade do México, México). Com um trabalhador no centro operando uma máquina, a obra de Rivera celebra o desenvolvimento tecnológico e a indústria. Ao utilizar ferramentas desgastadas que se projetam para o espaço, Ortega retoma esse imaginário questionando o tom heroico e épico da obra de Rivera.

Ortega também aproxima a arte da arquitetura moderna e vernacular. Observa pilhas de tijolos acumuladas em frente às casas, à espera de futuras ampliações, e as transforma em esculturas que revelam uma energia em estado de latência: um projeto que ainda não se realizou, mas que existe como potencial. A escultura Monster [Monstro], 2019, é uma das figuras formadas por restos de materiais de construção, como estrutura metálica, pedaços de azulejos, tijolos de barro e peças de concreto. Ao lidar com esses materiais, tão presentes em cidades latino-americanas, o artista chama atenção para modos de construir que emergem de forma espontânea nas grandes cidades.

Damián Ortega – Controller of the Universe [Controlador do universo], 2007 – Ferramentas encontradas e arame [Found tools and wire], 285 × 405 × 455 cm.

Expoente da cena artística mexicana da década de 1990, Ortega faz parte de uma geração que procurou renovar a linguagem da arte por meio de iniciativas coletivas que contribuíram para a transformação de seu meio artístico local. A partir de diálogos com a história da arte e com a experiência social latino-americana, o artista desenvolve uma linguagem escultórica e conceitual capaz de reposicionar histórias regionais em uma narrativa internacional, identificando-se com temas como globalização e circulação de mercadorias.

Damián Ortega: matéria e energia integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de Santiago Yahuarcani, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Colectivo Acciones de Arte, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.

SOBRE O ARTISTA

Damián Ortega (Cidade do México, 1967) iniciou a sua carreira como cartunista político em jornais como o La Jornada, desenvolvendo um olhar satírico e crítico que ainda atravessa a sua produção escultórica. Em 2006, fundou a Alias, editora dedicada a traduzir e publicar textos fundamentais de artistas contemporâneos (incluindo nomes brasileiros como Hélio Oiticica e Lygia Clark), democratizando o acesso ao conhecimento artístico para leitores de língua espanhola. Ortega participou de bienais e exposições em instituições como Bienal de Veneza (Itália), Centre Pompidou (França), Guggenheim Bilbao (Espanha), Kunsthalle Basel (Suíça), Museo Jumex (México), Museum of Contemporary Art de Los Angeles (Estados Unidos) e White Cube (Inglaterra), além de ter seus trabalhos em importantes coleções privadas e públicas.

ACESSIBILIDADE

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br, além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.

CATÁLOGO

Será publicado um catálogo bilíngue, em português e inglês, reunindo imagens e textos sobre a obra do artista. O livro tem organização editorial de Adriano Pedrosa e Yudi Rafael e conta com textos de Damián Ortega, Graciela Speranza, Rodrigo Moura, Roselin Rodríguez Espinosa, Tiago Mesquita e Yudi Rafael. O livro apresenta uma visão panorâmica da trajetória de Ortega, abordando sua relação com a cena artística mexicana, com o Brasil e com a história da arte latino-americana.

LOJA MASP

Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais de Damián Ortega: matéria e energia, que incluem cadernos, blocos, postais, ímãs e marca-páginas.

REALIZAÇÃO

Damián Ortega: matéria e energia é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e PROAC-ICMS, e tem patrocínio master da Vivo. O ano de Histórias Latino-americanas no MASP conta com patrocínio do Nubank.

SERVIÇO:

Damián Ortega: matéria e energia

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Rodrigo Moura, curador convidado; e Yudi Rafael, curador assistente, MASP.

15/5 — 13/9/2026

Edifício Lina Bo Bardi, 1º e 2º subsolo

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)

Clientes Nubank Ultravioleta têm 50% de desconto no valor do ingresso inteiro e nos produtos selecionados da loja do MASP; clientes Nubank têm 25% de desconto.

Site oficial | Facebook | Instagram.

(Fonte: Assessoria de imprensa MASP)