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“Projeto Wislawa” aborda criação e destruição sob uma perspectiva feminina e sarcástica a partir da obra de Wislawa Szymborska

São Paulo, por Kleber Patricio

Com Clara Carvalho e Vera Zimmermann e direção de César Ribeiro, montagem mistura poesia, HQs e estética contemporânea. Fotos: João Caldas.

A estreia do espetáculo “Projeto Wislawa” marca uma nova incursão do diretor Cesar Ribeiro na investigação dos sistemas de violência, agora sob um viés ao mesmo tempo lúdico e tragicômico a partir da obra de Wislawa Szymborska, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1996. A montagem estreia dia 6 de fevereiro, no Teatro Paulo Eiró (Av. Adolfo Pinheiro, 765 – Santo Amaro), com sessões de quinta a domingo, até dia 1° de março, com ingressos populares. Em cena, as atrizes Clara Carvalho e Vera Zimmermann conduzem uma narrativa que articula poesia, teatro e cultura pop para refletir sobre a escalada da intolerância na sociedade contemporânea.

A dramaturgia, criada por Ribeiro a partir de textos de Szymborska, aborda modos diversos de criação e destruição em diálogo com experiências históricas de opressão vividas pela autora, como a invasão da Polônia durante a Segunda Guerra Mundial e a influência soviética no pós-guerra, apresentando a capacidade de coisas vivas matarem outras coisas vivas – não apenas pessoas, mas a poesia, a criação artística, os modos de solidariedade. Para abordar essa temática, são apresentados os últimos dias de uma assassina condenada à morte pelo fictício assassinato da poeta polonesa, em uma narrativa entrecruzada por poemas como Fotografia de 11 de Setembro e Primeira Foto de Hitler, que abordam os corpos caindo após o atentado ao World Trade Center e uma fotografia de Hitler quando bebê.

A encenação propõe um olhar feminino sobre os processos de exclusão e desumanização, visando discutir como a diferença é instrumentalizada a partir de critérios como orientação político-ideológica, raça, crença, gênero, sexualidade e condição econômica por meio de uma estética contemporânea capaz de dialogar também com públicos não habituados a frequentar teatro, sendo influenciada pelo simbolismo e por desenhos animados e histórias em quadrinhos.

Desse modo, Projeto Wislawa dá continuidade à pesquisa de Cesar Ribeiro sobre formas estéticas contemporâneas que mesclam profundidade do debate com influências da cultura pop, vistas em obras como Projeto Clarice, Trilogia Kafka, Dias Felizes, O Arquiteto e o Imperador da Assíria e Esperando Godot, consolidando um teatro que articula pensamento crítico, rigor estético e acessibilidade de linguagem.

Wislawa Szymborska

A importância de Wislawa Szymborska (1923–2012) está na forma como sua obra pensa os grandes traumas do século XX a partir do detalhe, do cotidiano e de um olhar ético, sem retórica grandiosa ou panfletarismo. Tendo vivido sob o nazismo e o stalinismo, sua poesia responde diretamente à experiência dos regimes totalitários ao investigar como o mal se infiltra na vida comum, nas escolhas banais e na linguagem aparentemente inocente, revelando os mecanismos sutis de desumanização que sustentam sistemas autoritários.

No campo literário e filosófico, Szymborska renovou a poesia ao combinar linguagem simples, ironia fina e rigor intelectual, partindo de situações mínimas para alcançar reflexões universais sobre história, memória e responsabilidade individual. Ao rejeitar certezas absolutas e discursos totalizantes, sua obra afirma a dúvida, a ambiguidade e a empatia como formas de resistência, deslocando o foco da épica oficial para os corpos anônimos e os gestos invisíveis, e mostrando como a violência e o poder se constroem — e podem ser questionados — nas pequenas coisas.

Sinopse

Com estética inspirada em HQs e desenhos animados, Projeto Wislawa apresenta a história fictícia de uma mulher condenada à morte por assassinar a poeta polonesa Wislawa Szymborska. A partir de texto autoral e poemas da autora, o espetáculo reflete sobre a capacidade humana de produzir violência, abordando o totalitarismo, a intolerância e os processos de desumanização sob uma perspectiva feminina e contemporânea.

Ficha Técnica:

Dramaturgia, direção e trilha sonora: Cesar Ribeiro

Textos: Wislawa Szymborska

Atuação: Clara Carvalho e Vera Zimmermann

Cenografia: J. C. Serroni

Figurinos: Telumi Hellen

Iluminação: Rodrigo Palmieri

Visagismo: Louise Helène

Direção de produção: Marisa Medeiros

Coordenação de produção: Edinho Rodrigues

Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques e Daniele Valério.

Serviço:

Projeto Wislawa

Data: 6/2 a 1/3

Horários: quinta a sábado, às 20h e domingo, às 19h.

No dia 25/2 (quarta-feira), às 20h – sessão extra

Teatro Paulo Eiró – Av. Adolfo Pinheiro, 765 – Santo Amaro, São Paulo/ SP

Duração: 60 minutos

Gênero: Tragicomédia

Classificação: 12 anos

Ingresso: R$ 20

Ingressos presenciais 1h antes do início do espetáculo na bilheteria e online pelo Sympla.

(20% da lotação diária será gratuita para ONGs, rede pública de ensino e quem entrar em contato pelo e-mail grupogaragem21@gmail.com informando a data em que deseja comparecer à apresentação, o número de pessoas que irão e dados como nome e e-mails das pessoas).

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)