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Sinfônica de Campinas apresenta “Egmont”, de Beethoven, neste final de semana

Campinas, por Kleber Patricio

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Crédito das fotos: divulgação.

Durante toda a vida, o compositor Ludwig van Beethoven (1770 – 1827), defendeu o conceito de liberdade. Uma de suas mais expressivas obras, Egmont, escrita para a peça teatral de Goethe (1749-1832), é um forte exemplo de luta contra a tirania e a exaltação heroica da resistência à opressão.

A peça está no repertório dos concertos da Orquestra Sinfônica de Campinas deste final de semana, no Teatro Castro Mendes. No sábado, dia 2, a apresentação será às 20h; no domingo, 3 de julho, às 11h.

Com regência do maestro Victor Hugo Toro, Egmont terá participações da soprano Ana Beatriz Machado e da jornalista e atriz Delma Medeiros, que conduzirá a narrativa dramática.

Baseada em fatos reais, Egmont traz, além da abertura, mais nove trechos e estreou no dia 15 de junho de 1810. “O drama ocorre no século 16 durante a rebelião dos flamengos contra o domínio espanhol. O Conde Egmont tenta negociar com os espanhóis um tratamento menos tirânico, mas acaba condenado à morte. Esta incita ainda mais a luta, que terminou com a derrota dos espanhóis”, relata a pesquisadora Lenita Nogueira.

Durante os concertos, o público poderá, ainda, conferir mais duas composições, A Bela Melusina, de Feliz Mendelssohn (1809-1847) e o Concerto para Violino n° 1, de Max Bruch (1838-1920), com o solista Davi Graton.

Davi_Graton_GNatural de São Paulo, o violinista Graton integra a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) como concertino, o segundo violino mais importante. É professor da Academia da Osesp e integrante do Quarteto Osesp, ao lado de Emanuelle Baldini, Peter Pas e Johannes Gramsch. Foi spalla (o primeiro violino) da Orquestra Sinfônica da USP durante 12 anos e da Orquestra Experimental de Repertório por 15 anos. Foi um dos fundadores da tradicional orquestra de câmara de São Paulo, a Camerata Fukuda, onde iniciou sua carreira como spalla.

Graton é ganhador de importantes concursos do país, como o da Osesp e o 9º Prêmio Eldorado de Música. Este último lhe rendeu a gravação de um CD pelo selo Eldorado. Participou do Curso de Virtuosidade Violinística, ministrado por Corrado Romano, consagrado professor do Conservatório de Genebra (Suíça).

Desde o início de sua carreira, vem se apresentando como solista à frente das mais importantes orquestras do país, como a Osesp, a Orquestra Experimental de Repertório e a Orquestra Sinfônica da USP, entre outras, sempre com grande sucesso de público e de crítica. Um dos seus trabalhos de destaque foi o concerto de encerramento da Etapa Sul-Americana do Maazel/Vilar Conductors’ Competition, sob a batuta de Lorin Maazel.

downloadAna Beatriz Machado é soprano, bacharel em Canto Lírico pela Universidade Estadual de Campinas, Unicamp, nasceu em Poços de Caldas – MG, onde começou seus estudos em música. Em 2009, ingressou na Unicamp como aluna de canto lírico sob a orientação de Luciano Simões até 2012 e Angelo Fernandes até o final de sua graduação.

Cantou em masterclasses com Kohdo Tanaka, Rubia Santos, Ângela Barra, Poliana Alves, Flávio Carvalho, Kathryn Hartgrove e Miah Persson. Participou de nove edições do Festival de Música nas Montanhas, em Poços de Caldas, nas classes de Didática de Coro Infantil, (com Dulce Primo), Regência Coral (com Susana Cecília Igayara e Marco Antônio da Silva Ramos), Ópera Studio (com Regina Elena Mesquita) e Canto (Francisco Campos, Celine Imbert e Susan Ruggiero).

Em 2013, participou do primeiro Festival de Ópera das Américas, onde interpretou a personagem Frou-Frou da ópera The Merry Widow. No mesmo ano, interpretou a personagem Pamina, da ópera Die Zauberflöte junto à orquestra Sinfônica de Limeira e a orquestra Sinfônica da Unicamp. Em 2014 cantou o papel de Susanna, da ópera Le Nozze di Figaro, também com a orquestra Sinfônica da Unicamp.

Em 2015, interpretou o papel de Zerlina, da ópera Don Giovanni, sob regência de Abel Rocha. Também em 2015, ganhou o prêmio “Júri Público” e o prêmio “Ópera Carmen” com a personagem Frasquita no 13º Concurso Brasileiro de Canto Lírico Maria Callas. Foi solista da 9ª Sinfonia de Beethoven na Sala São Paulo, sob regência do maestro Luciano Camargo e ganhou o prêmio de melhor voz feminina no VIII Concurso Carlos Gomes Estímulo para Cantores Líricos. Atualmente faz parte da Academia de Ópera do Teatro São Pedro, em São Paulo, e recebe orientação do barítono Francisco Campos.

Autores e obras

Felix Mendelssohn (Hamburgo, 1809-Leipzig, 1847)

A bela melusina – Abertura Op. 32

A obra de Mendelssohn é uma das mais representativas na produção musical do século XIX. Entretanto, quando se trata de ópera, não se pode dizer o mesmo. Este foi um gênero no qual pouco se aventurou e as óperas que compôs não tiveram grande repercussão.

Felix era neto de Moses Mendelssohn, conhecido como “Platão da Alemanha” após a publicação de Phaedon ou A imortalidade da alma. O pai de Felix, Abraham, casou-se em 1804 com Lea Salomon, herdeira de rica família judaica e, associado ao irmão, fundou em Berlim a casa bancária J. & A. Mendelssohn, que sobreviveu até 1938, quando foi fechada pelos nazistas. Batizou seus quatro filhos na igreja luterana e acrescentou Bartholdy ao sobrenome da família, pois sentia que havia uma hostilidade contra os judeus na Alemanha.

Menino-prodígio como Mozart, Felix realizou diversas viagens de estudo pela Europa, antes de estabelecer-se em Düsseldorf como Supervisor das Atividades Musicais em 1833. Três anos depois se tornou regente da Orquestra Gewandhaus de Leipzig, onde criou o famoso Conservatório de Música em 1843.

Max Bruch (Colônia, 1838-Fridenau, 1920).

Concerto para Violino n° 1 em Sol Menor, Op.26

Quem assistiu à comovente cena em que a atriz Julie Andrews, representando uma famosa violinista vitimada por esclerose múltipla no filme Duet for one (Sede de amar, 1986), baseado na história real da violoncelista Jacqueline Du Pré, assiste entre lágrimas a um vídeo de sua carreira no passado, certamente vai se lembrar do Concerto nº 1 para Violino e Orquestra de Max Bruch.

O compositor relutou em chamar essa obra de Concerto – achava que Fantasia seria mais adequado para uma peça onde o primeiro movimento é na verdade um extenso prelúdio (como indicou ao assinalar a palavra Vorspiel na partitura), que desemboca no Adágio, uma lírica e intrigante linha melódica que, a cada vez que é reapresentada, desperta sentimentos ambíguos. No movimento final o lirismo é abandonado e a peça se conclui com mais vigor.

A criação foi longa e sofrida: iniciado em 1857, estreou em 1866, mas não agradou o compositor, que realizou diversas revisões até a publicação da obra em 1868, quando escreveu ao editor: “É uma coisa extremamente difícil de fazer. Entre 1864 e 1868 reescrevi meu concerto ao menos meia dúzia de vezes e conversei com X violinistas antes de dar a ele a forma final”. Entre os violinistas que consultou estava Joseph Joachim (1831-1907), a quem o concerto foi dedicado. A divulgação da correspondência entre ambos demonstrou que não discutiram apenas questões técnicas, dedilhados ou arcadas, mas também sobre forma e proporção. Foi Joachim quem convenceu Bruch de que seria mais adequado chamar a obra de Concerto e não Fantasia.

Ludwig van Beethoven (Bonn, 1770-Viena, 1827)

Abertura Egmont, op. 84

Ao receber a encomenda para escrever música incidental para a peça teatral de Goethe Egmont, Beethoven ficou bastante entusiasmado, pois além de ser grande admirador do escritor, teria uma oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Escreveu cartas a Goethe, a quem se dirigia com uma humildade que lhe era pouco comum: “O senhor receberá em breve minha música para Egmont – este maravilhoso Egmont que eu li, senti e escrevi a música pensando calorosamente no senhor. (…) Mesmo a censura será benéfica para mim e para minha arte, e será muito bem-vinda como uma honra infindável.” Goethe respondeu dizendo que o compositor havia expressado suas intenções com “um gênio marcante” e expressava apreço especial por uma determinada passagem da partitura.

Baseada em fatos reais, a peça trata de temas caros a Beethoven: a luta contra a tirania e a exaltação heroica da resistência à opressão. O drama ocorre no século XVI, durante a rebelião dos flamengos contra o domínio espanhol. O Conde Egmont tenta negociar com os espanhóis um tratamento menos tirânico, mas acaba condenado à morte. Esta incita ainda mais a luta, que terminou com a derrota dos espanhóis.

Ideais de liberdade política estão presentes em diversas composições de Beethoven, como em Fidélio, sua única ópera, cuja trama tem certo paralelo com Egmont, embora o primeiro tenha sido salvo da morte por Leonora, sua leal e corajosa esposa, o que não é a realidade de Egmont. Entretanto, o que prevalece nas duas obras é a ideia do sacrifício que conduz ao bem maior.

Além da abertura, Egmont tem mais nove trechos e estreou no dia 15 de junho de 1810. A abertura é frequente nas salas de concertos, o que não ocorre com as outras partes, que não conseguiram se descolar do enredo original. A abertura é poderosa e expressiva e, ao introduzir as personagens principais, prepara a audiência para os temas da peça: a força de caráter de Egmont, o amor de Klärchen por ele e a vitória sobre os espanhóis.

A introdução lenta retrata o sofrimento da população flamenga sob o jugo espanhol e o final festivo a celebração da vitória contra a opressão. Este tema reaparece no final do nono quadro da peça com o título Siegessinfonie — ou Sinfonia da Vitória.