O Núcleo de Estudos Marcello Grassmann lançou no dia 28 de junho de 2025 o catálogo da exposição “O Gabinete de Marcello Grassmann”, em cartaz no Museu Lasar Segall, no jardim do Museu, na Vila Mariana, em São Paulo. O valor do catálogo é de R$ 100,00. A mostra foi prorrogada até o dia 3 de agosto de 2025.
Em Belo Horizonte, São Simão, Campinas e São Paulo, em julho, acontece “Centenário Marcello Grassmann e homenagem de Rubens Matuck ao mestre amigo” – Festival de Inverno, no Centro Cultural UFMG – Sala Renato de Lima, em Belo Horizonte; na Casa de Cultura Marcelo Grassmann, em São Simão, no interior de São Paulo, e, para finalizar – ambas em setembro –, no loft do Pedro Hiller – o maior colecionador de obras do Marcelo Grassmann, em São Paulo. Previamente, aconteceu a exposição “Grassmann Presente – 100 Anos de Marcelo Grassmann”, em abril, no Instituto Pavão Cultural, em Campinas.
Sobre o artista
Marcelo Grassmann nasceu em São Simão, no estado de São Paulo no ano de 1925, sétimo dos nove filhos que a professora D. Elpídia de Lima Brito teve com seu marido Otto Grassmann. A família permanece na cidade até 1932, quando se muda para a capital, São Paulo. Chegando em janeiro, acompanharam toda a movimentação da Revolução Constitucionalista, até mesmo os bombardeios ao Campo de Marte, fundos da casa da família na rua Voluntários da Pátria, Zona Norte da cidade. Permaneceram em Santana até a transferência de D. Elpídia para Vila Clementino entre 1934 e 35. Marcello neste período dividia a escola com as revistas em quadrinhos e olhava do alto o fim da rua para o vale por onde passava o bonde Santo Amaro, com o matagal ladeando a passagem.
Nessa ocasião já reconhecia quase todos os desenhistas das histórias em quadrinhos publicadas na época. Marcello diz que sua obsessão não era tanto pelas histórias, mas pelos vários estilos em que os desenhos eram feitos: “Ainda em São Simão ficávamos fascinados pelas imagens e histórias do Tesouro da Juventude. Então apareceram os suplementos infantis, algumas tentativas nacionais de desenhos tipo Tico-Tico que eram historietas baseadas em protótipos europeus e americanos, porém com uma temática nacional, e nesta salada de estilos e figuras imaginativas a criança que fui ficava fascinada pela movimentação das imagens”.
Uma transferência de D. Elpídia levou a família para um novo endereço na Rua Cônego Eugênio Leite, zona oeste da cidade, a dois quarteirões do Cemitério São Paulo no ano de 1938. Os caminhos do menino passavam por onde ficavam as oficinas dos escultores de túmulos e mesmo dentro do cemitério onde uma miscelânea de esculturas desde Victor Brecheret até os acadêmicos mais chatos foram parte da sua formação. A mãe, professora, conhecia o diretor do Instituto Profissional Masculino, onde havia os cursos de orientação profissional para jovens que tivessem acabado o primário e começassem a procura de uma carreira ou aprendizado, técnico ou artístico. Como não havia um curso de escultura propriamente dito, Marcello opta pelo entalhe que na época lhe pareceu mais próximo. Furtivamente frequentava as aulas de pintura e escultura. Deste período ficaram os amigos Octavio Araújo e Luís Sacilotto.
Terminado o Instituto, formado e desempregado. O desencontro entre o ensino e a realidade da profissão de entalhador deixaram Marcello com uma nova procura, a expressão artística conjuntamente com a ampliação de interesses. De 1939 a 1942 duas exposições marcam os jovens egressos do Instituto Profissional Masculino: artistas franceses impressionistas, modernos, contemporâneos e românticos e, na segunda, a pintura abstrata. Nesta altura os jovens já tem contato pessoal com artistas do modernismo brasileiro: Bonadei e Flávio de Carvalho.
A década de quarenta avança trazendo a primeira exposição no Rio de Janeiro, em 1949 muda-se para esta cidade, onde frequenta as aulas de Henrique Oswald. Em uma individual sua conhece pessoalmente Oswaldo Goeldi, de quem admirava o trabalho desde os tempos do Instituto, quando via suas ilustrações para o Suplemento Literário do jornal A manhã do Rio de Janeiro.
1951 chega e os jovens Marcello, Aldemir (Martins) e Franz (Franz Krajcberg) trabalham como operários na montagem da primeira Bienal de São Paulo participando também com suas obras, a Marcello é dedicado o prêmio aquisição. Finda a Bienal segue para a Bahia com Mario Cravo que conhecera no evento, esperando por eles algo como vinte pedras litográficas, presente ao artista baiano de Cicillo Matarazzo. Conhecedor dos rudimentos desta arte, aprendida com Poty em 49 no Liceu do Rio de Janeiro, mesmo sem prensa as pedras são usadas e impressas com colher, como xilogravuras.
1954, quando finalmente chega o dinheiro da bolsa ganha em 1952 no Salão Nacional, segue para o velho continente. Quarenta litografias, dois cadernos e dois anos depois, volta ao Brasil. Mora em Santo Amaro, próximo ao Cemitério Campo Grande. Lá Marcello desenvolve a maior parte de sua obra de desenhista e gravador. Forma dois irmãos impressores, Otto (falecido) e Roberto. Participa de outras Bienais nacionais e internacionais, expõe também dentro e fora do país. Em 1979 é inaugurada a Casa de Cultura Marcello Grassmann, onde moravam seus avós, em São Simão. Muda-se para sua chácara na grande São Paulo em meados dos anos oitenta. Várias são as exposições individuais e coletivas neste período. Reconhecido como mais proeminente gravador e desenhista nacional, corre o mundo com seus trabalhos.
Na Pinacoteca do Estado de São Paulo está o maior conjunto de suas gravuras, compradas em 1969 pelo governador Abreu Sodré. Destacam-se as exposições em comemoração aos 25 anos dede gravura no MAM/ SP (1969), 40 anos de gravura, Pinacoteca do Estado de São Paulo (1984). O mundo Mágico de Marcello Grassmann em comemoração aos seus 70 anos, MASP/SP (1995). Marcello Grassmann, desenhos. Instituto Moreira Salles, SP/RJ/MG (2006). Sombras e sortilégios, MON/Curitiba, PR (2010). Segue trabalhando até sua morte em junho de 2013.
Sobre o Núcleo de Estudos Marcello Grassmann
Marcello Grassmann é reconhecido como um dos protagonistas das artes gráficas no Brasil; assim, exemplificam os muitos prêmios que lhe foram atribuídos nos mais de 70 anos de atividade. Estudá-lo, significa, portanto, dar visibilidade à uma parte significativa da arte brasileira: a gravura e o desenho. A obra grassmanniana se faz presente em museus brasileiros, internacionais e coleções particulares, sendo que uma parcela dela permaneceu em propriedade do artista durante toda sua vida. São estes os que chamamos de “os Grassmanns de Marcello”.
Esse singular acervo foi legado a Ana Elisa (Zizi) Baptista, gravadora e companheira do artista por 17 anos, que decidiu não apenas preservá-lo, mas também ampliá-lo por meio de aquisições totalizando aproximadamente 1000 obras, incluídos também entalhes, matrizes, ferramentas e objetos pessoais, além da biblioteca particular do artista e livros com referências a este e sua geração.
O “Núcleo” é uma instituição sem fins lucrativos e tem como objetivos preservar a memória do artista, promover a pesquisa da obra grassmanniana por meio de mesas de estudo, debates e gravação de entrevistas, como também a difusão de seu acervo através da publicações de livros e exposições, cumprindo um importante papel às artes gráficas brasileira. https://www.nucleomarcellograssmann.org.br
Sobre o Museu Lasar Segall
Além de conservar, pesquisar e divulgar a obra de Lasar Segall (1889–1957), o Museu Lasar Segall é atuante centro cultural, com exposições temporárias, cursos, cinema, ação educativa e a Biblioteca Jenny Klabin Segall, especializada nas artes do espetáculo (Cinema, Teatro, Rádio e Televisão, Dança, Ópera e Circo).
Idealizado por Jenny Klabin Segall, viúva do artista, o Museu foi criado pelos filhos Mauricio Segall e Oscar Klabin Segall em 1967. Hoje é uma unidade do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), autarquia vinculada ao Ministério da Cultura (MinC) www.mls.gov.br
Serviço:
Centenário Marcello Grassmann | mostra O Gabinete de Marcelo Grassmann
Curadoria: Luiz Armando Bagolin
Valor do catálogo: R$ 100,00
Visita: prorrogada até 3 de agosto de 2025 | quarta a segunda, das 11h às 19h
Quanto: gratuito e livre
Museu Lasar Segall
Rua Berta 111, Vila Mariana, São Paulo, SP
Tel: (11) 2159-0400
e-mail: info@mls.gov.br | site: www.mls.gov.br.
(Com Erico Marmiroli/Marmiroli Comunicação)
